Florbela por Fagner

Ani Dabar

Poema conhecido graças ao Fagner. Gracias, Fagner.
Voz danada de bonita a do Zeca Baleiro, não? Adoro.
E o Fagner foi genial. Musicar poema pré-existente e nem parecer
que já não tinha nascido junto com a melodia não é para qualquer um.

FANATISMO
Florbela Espanca

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

Tudo no mundo é frágil, tudo passa…
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”

(Livro de Soror Saudade, 1923)

mas tudo isso é…

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